João de Sousa Carvalho

1745
-
1800
Compositor

Biografia

O compositor João de Sousa Carvalho nasceu a 22 de Fevereiro de 1745, em Estremoz, e terá falecido entre as Quaresmas de 1799 e 1800, no Alentejo ou em Lisboa. Considerado o mais destacado compositor português da segunda metade do século XVIII, iniciou os seus estudos musicais em 1753, com apenas oito anos, no Colégio dos Santos Reis Magos, em Vila Viçosa¹.

Prosseguiu a sua formação no Seminário da Patriarcal, em Lisboa, e, em 1761, ingressou no Conservatório de Santo Onofre de Capuana, em Nápoles, juntamente com outros compositores portugueses – os irmãos Brás e Jerónimo Francisco de Lima e Camilo Cabral – todos eles bolseiros do rei D. José I². Permaneceu em Itália até 1767 e viu a sua ópera La Ninetti ser apresentada no Teatro delle Dame, em Roma, durante o Carnaval de 1766³.

Ao regressar a Lisboa, foi nomeado professor de contraponto e mais tarde, entre 1773 e 1798, mestre de capela do Seminário da Patriarcal. Entre os seus discípulos contam-se vários dos protagonistas da atividade musical das gerações seguintes: António Leal Moreira, Marcos Portugal, João José Baldi e, provavelmente, João Domingos Bomtempo. Em 1778, sucedeu a David Perez como professor de música da corte. Foi tutor da infanta D. Maria Francisca Benedicta, filha de D. José, do príncipe D. José, filho de D. Maria I; do irmão D. João, que mais tarde seria rei, da sua irmã, a infanta D. Mariana Victoria, e da princesa D. Carlota Joaquina. 

Após assumir esta função, João Sousa de Carvalho tornou-se um dos compositores preferidos da corte e passou a ocupar uma posição de destaque no campo do repertório dramático, tendo escrito múltiplas serenatas para a celebração de aniversários e de outras ocasiões festivas da corte portuguesa e várias óperas, na sua maioria com textos de Gaetano Martinelli. Sobre as suas qualidades técnicas, Ernesto Vieira escreveu: 

Sousa Carvalho era um compositor de primeira ordem no seu tempo, bastante avançado, possuindo a fundo todos os recursos e servindo-se d’elles com summa habilidade. A orchestra mesmo, apezar de ser coisa pouco prezada n’aquella época, é trabalhada com esmero, principalmente o quartetto de cordas. O estylo é puramente italiano, floreado mas não com excesso, conhecendo-se-lhe com frequencia o influxo de David Perez.

Óperas

Alcione (1787)

Adrasto, re degli Argivi (1784)

L’Endimione (1783)

Tomiri (1783)

Everardo II, re di Lituania (1782)

Seleuco, re di Siria (1781)

Testoride argonauta (1780)

4 S | T + 2 Fl | 2 Ob | 2 Tpt | 2 Hn | Vln | Vla | Vc | Cb | Cemb
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Eumene (1773)

L’amore industrioso (1769)

3 S | 3 T | B + 2 Fl | 2 Ob | 2 Cnt | Fg | Tpt | Vln | Vla | Vc | Cb | Cemb
Ver Ópera

La Nitteti (1766)

Referências

  1. Pedro Castro, «L’Angelica: Notas à margem» in Catálogo Cistermúsica 2010 (Cistermúsica 2010), 30.
  2. Manuel Ivo Cruz, O Essencial sobre a Ópera em Portugal (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2008), 25.
  3. Manuel Carlos de Brito, Opera in Portugal in the Eighteenth Century (Cambridge University Press,1989), 78.
  4. Cruz, O Essencial sobre a Ópera em Portugal, 25. 
  5. Ernesto Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes: Historia e Bibliographia da Música em Portugal. I Volume (Lisboa: Lambertini, 1900), 229.
  6. Castro, «L’Angelica: Notas à margem,» 31.
  7. Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes, 235.