Joaquim Casimiro Júnior nasceu em Lisboa a 30 de Maio de 1808, filho de Joaquim Casimiro da Silva, que trabalhava como copista e músico no Teatro do São Carlos. Júnior começou a sua formação musical na Sé de Lisboa e estudou composição com José de Santa Rita Marques e Silva. Em 1829, depois de alguns anos como organista na capela do Palácio Bemposta, ganhou reconhecimento como compositor de música sacra, nomeadamente de obras como as Matinas de Santa Luzia e um Te Deum escritos em tributo ao rei D. Miguel¹.
Depois da deposição do rei absolutista, Casimiro terá passado algum tempo encarcerado e, de acordo com Ernesto Vieira, terá vivido a segunda metade da década de 30 «escondido n’alguma casa amiga nos arredores de Lisboa, como sucedeu a muitos outros receosos»². Em 1842 emergiu novamente para se tornar um dos mais destacados compositores de música dramática do país. Ao longo dos seus 20 anos de atividade associado à cena teatral, escreveu música para peças, óperas cómicas, peças mágicas, fantasias e um drama bíblico, de José Romano – Sansão, ou A destrição dos Philisteus (1855)³.
Começou por se associar ao Teatro do Salitre, onde, num só ano, compôs a música para um mistério inspirado em Robert le Diable de Meyerbeer, para duas peças de Molière, e para a farsa Pecados Velhos. Ainda na década de 40, foi atraído ao Teatro da Rua dos Condes pelo então diretor Emile Doux, que incumbiu Casimiro de compor a música para uma farsa na linha de O beijo (1844), de Angelo Frondoni. Este projeto daria origem a Um par de luvas, peça que marcou a inauguração do Teatro D. Maria e a celebração do aniversário de D. Fernando, em 29 de Outubro de 1845 e que foi, depois, repetida na Rua dos Condes⁴. Já em 1849, produziu «a primeira paródia às óperas italianas que entre nós apareceu»: Ensaio da Norma, sobre a obra de Vincenzo Bellini⁵.
Um ano depois, a estreia da sua ópera A Batalha de Montereau no Teatro D. Fernando foi um sucesso – apesar de algumas críticas à sua proximidade com o estilo italiano⁶ – e transformou Casimiro no compositor mais requisitado nos teatros da capital portuguesa. Seguiram-se várias colaborações e projetos e, a 13 de Outubro de 1854, uma nova opereta da sua autoria, Ópio e Champanhe, que seria revisitada por diversas vezes e em vários teatros⁷.
Em paralelo ao seu trabalho no campo da música teatral, Casimiro Júnior desempenhou as funções de organista e, a partir de 1960, de Mestre de Capela da Sé Patriarcal⁸. De entre o seu repertório sacro, destacam-se os responsórios para quarta-feira santa (1957), que Vieira classificou como obra-prima de Casimiro⁹. O compositor faleceu cinco anos depois, em 28 de Dezembro de 1862, deixando um impressionante catálogo com «quase 100 obras de música sacra e mais de 200 partituras teatrais» – não será, por isso, de admirar que os mais conceituados professores de música lhe tenham outorgado «o primado entre os compositores de seu¹⁰.
6 Solistas + Coro + 2 Fl (Picc) | Cl | Tpt | 2 Hn | Tbn | Perc | Vln | Vla | Vc | Cb
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