Ópio e Champagne

1854

Descrição

Libretista: Joaquim Augusto de Oliveira
Libreto baseado na L’Opium et le Champagne de Louis-François Nicolaie
Opereta em 1 acto
Data: 1854
Língua: Português
Pequeno formato

Personagens

Kangarú
Nasçá
Dog-dog
Yang-Ti
Ventrebiska
Arthur
Coro

Sinopse

«A acção desta pequena peça passa-se na China e invoca o consumo elevado de ópio naquele país incitado pelos comerciantes ingleses e o desenrolar da Primeira Guerra do Ópio entre as duas nações (1839 – 1842) como pretextos para uma comédia de enganos. Um guarda-marinha francês, Arthur, namora em segredo com a chinesa Nasçá, sobrinha do negociante de chá Kangarú e noiva do seu caixeiro, Yang-ti. O seu interesse é tanto pela rapariga como, e principalmente, pela venda de champanhe, aproveitando o contexto de guerra para também ele fazer negócio: «Já que a Inglaterra jurou adormecer esta pobre nação, induzindo-a a fumar do ópio, é justo que a França a desperte á força de Champanhe.» Ventrebiska, mulher de Kangarú, deixa-se por seu turno seduzir por um oficial inglês, Dog-dog, que aproveita para, sob disfarce, tentar «vender muita opia». Mas o marido e noivo descobrem os estrangeiros no armazém de chá e tentam persegui-los, correndo «ambos furiosos em redor do theatro, como procurando, mas em direcção opposta – como vão cegos de raiva deve esta scena ser combinada de sorte que Yang-ti e Kangarú esbarrem um no outro umas poucas de vezes». Após alguns disfarces, peripécias perseguições e muitos couplets, Arthur consegue convencer Kangarú a dar-lhe a mão da sobrinha, «sobre tudo depois de saber que vou ser o salvador da China, que tenho na minha mão acordar triunfantemente este paiz; e torná-lo alegre como a França.» Kangarú, curioso, convida «a escolhida sociedade […] para assistir a tão festiva experiencia!». A peça termina com todos a beber alegremente «o divino Champanhe», a dar vivas ao néctar, e a dançar o can can.»¹

Instrumentação

2 Fl (Picc) | Cl | Tpt | 2 Hn | Tbn | Perc | Vln | Vla | Vc | Cb 
Partitura: Biblioteca Nacional de Portugal

Sobre a Obra

A opereta Ópio e Champanhe, de Joaquim Casimiro Júnior, estreou-se a 13 de Outubro de 1854 no Teatro da Rua dos Condes e logo conquistou os favores do público. A propósito de uma das várias repetições da obra, levada à cena cinco anos após a morte do compositor, a Chronica dos Theatros desafiava o leitor a encontrar uma «música mais apropriada ao género, que melhor traduzisse o pensamento do poeta»². O texto desta opereta constitui uma imitação ou tradução de Joaquim Augusto de Oliveira sobre o texto original francês L’Opium et le Champagne, apresentado ao público português alguns meses antes numa produção de uma troupe francesa no Teatro D. Fernando³ .

Estreia

Data: 1854
Local: Teatro da Rua dos Condes, Lisboa
Elenco: Roche, Pascal, Dumesnil, Méraux, Mlle. de Boissy e Mlle. Desgranges

Partituras & Mais Informações

Referências

  1. Isabel Maria Dias Novais Gonçalves, A música teatral na Lisboa de Oitocentos, 352-3. 
  2. Ernesto Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes: Historia e Bibliographia da Música em Portugal. II Volume (Lisboa: Lambertini, 1900), 252.
  3. Isabel Maria Dias Novais Gonçalves, A música teatral na Lisboa de Oitocentos: Uma abordagem através da obra de Joaquim Casimiro Júnior (PhD diss. NOVA FCSH, 2012), 351.