Manoel Innocencio Liberato dos Santos Carvalho e Silva nasceu em Lisboa a 23 de Agosto de 1805, filho de um músico da Real Câmara e do Teatro de São Carlos, também ele chamado Manoel Innocencio de Carvalho¹. O compositor estudou com o frei José Marques e desde cedo mostrou aptidão musical, em particular como organista: «O órgão era então o seu instrumento favorito, e el-rei D. João VI tinha em grande apreço o joven artista e deleitava-se em o ouvir tocar»². Associou-se à Irmandade de Santa Cecília a 22 de Dezembro de 1814, com apenas 9 anos, e, ainda muito jovem, conseguiu conquistar a estima da corte portuguesa.
Na década de 20, foi nomeado organista da Casa Real e professor de música das infantas D. Anna de Jesus Maria e D. Maria da Assumpção. Manteve-se, desde então, muito próximo da família real e acompanhou D. Miguel durante os cinco anos do seu reinado, mas a sua posição pró-absolutista forçou-o a afastar-se dos cargos que ocupava aquando do advento da constituição³. Longe da corte, optou por dedicar-se ao teatro – em 1839, apresentou a sua primeira ópera, D. Ignez de Castro, no Teatro de São Carlos, e três anos depois regressou ao género operático, no mesmo teatro, com O Cerco de Diu. De acordo com Ernesto Vieira, terá deixado uma ópera inédita, de nome Il conte di Leicester⁴.
Em 1844, Liberato dos Santos recupera o seu lugar junto da família real ao ser nomeado por D. Maria II para mestre da Capela Real e mestre de música dos filhos da monarca. Compôs os dois hinos oficiais de D. Pedro V e D. Luís I e escreveu também os Te Deum que se cantaram nas aclamações e casamentos de ambos⁵. O compositor faleceu em novembro de 1887, vítima de pneumonia, depois de ser agraciado com o grau de cavaleiro de São Gregório por Pio IX⁶.
2 S | 2 T | Bar | 2 Solistas + 2 Crianças + Coro + Orquestra
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