Miguel Ângelo Pereira

1843
-
1901
Compositor

Biografia

Miguel Ângelo Pereira nasceu em Barcelinhos, Barcelos, a 27 de Janeiro de 1843 e partiu ainda criança para o Brasil, juntando-se ao pai, também músico, e realizando no Rio de Janeiro grande parte da sua formação musical. Frequentou o Conservatório da cidade e recebeu lições do mestre brasileiro Francisco Manuel da Silva e conselhos do pianista Segismond Thalberg¹. Com 19 anos, o músico venceu o concurso para organista da Capela Imperial de D. Pedro II, cargo que conciliou com a direção da orquestra do Teatro Ginásio Dramático e com o arranque de uma promissora carreira como pianista².

Miguel Ângelo regressou a Portugal em 1865 e fixou-se no Porto, já com a ideia de compor uma ópera inspirada numa obra de destaque na literatura portuguesa, seguindo o exemplo de Francisco de Sá Noronha, cuja ópera O Arco de Sant’Anna, baseada no romance homónimo de Almeida Garrett, data do mesmo período. Essa ambição materializou-se na ópera Eurico, com libreto adaptado de um romance de Alexandre Herculano, estreada no Teatro de São Carlos em 1870³. Além de Eurico, o músico compôs duas outras óperas inéditas – Zaida e Avalanche –, repertório sinfónico, peças para canto e piano, entre vários outros géneros musicais. Destacam-se, por exemplo, um Te Deum escrito a propósito da inauguração da estátua de D. Pedro V no Porto; e a Cantata Luiz de Camões – obra coral-sinfónica de grande envergadura composta para as festas do centenário do poeta e apresentada no Palácio de Cristal, em 1880.

Miguel Ângelo fundou a Sociedade de Quarteto do Porto em 1874, mais tarde absorvida pelo Orpheon Portuense, juntamente com Nicolau Ribas, Moreira de Sá, Marques Pinto e Joaquim Casella. O grupo teve um importante papel na divulgação de repertório de música de câmara, mas o grupo foi rompido de forma violenta, devido a conflitos pessoais entre os seus membros. Em 1877, o compositor criou um Curso Musical que formou intérpretes e professores de relevo, como Óscar da Silva, Artur Ferreira de Sousa e Teresa Amaral, e, na década de 80, criou uma editora de música que, após o seu falecimento, a 1 de Fevereiro de 1901, ficou a cargo do seu filho, Rafael Ângelo, também ele ligado à composição e à pedagogia musical.

Óperas

Eurico, o Presbytero de Carteia (1870, rev. 1874)

S | A | 2 | Bar | 4 B + Coro + Orquestra
Ver Ópera

Zaida (s.d., inédita)

Avalanche (s.d., inédita)

Referências

  1. Ernesto Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes: Historia e Bibliographia da Música em Portugal. II Volume (Lisboa: Lambertini, 1900), 461-2.
  2. Ana Maria Liberal, «Visita a Miguel Ângelo Pereira e sua família,» Do Romantismo Portuense: conferências musicais (Universidade do Porto/Juventude Musical Portuguesa, 2009).
  3. Luísa Cymbron, «A importância de ser do Norte: o Teatro de S. João e os compositores portugueses do Liberalismo,» in O velho teatro de São João (1798-1908): Teatro e música no Porto do longo século XIX, coord. by Luísa Cymbron and Ana Isabel de Vasconcelos (Edições Afrontamento, Lda./CESEM, 2020), 351. 
  4. Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes, 464-5.
  5. Liberal, «Visita a Miguel Ângelo Pereira e sua família,»