Banksters

2011

Descrição

Compositor:

Libretista: Vasco Graça Moura
Libreto inspirado na peça Jacob e o Anjo de José Régio
Ópera sinfónica
Data: 2011
Língua: Português
Duração: ca. 125 minutos
Grande formato

Personagens

Santiago Malpago: baixo
Angelino Rigoletto: tenor lírico
Mimi Kitch: soprano dramático
O Acionista: barítono
A Porta-Voz: soprano ligeiro
Presidente do Conselho de Administração: baixo
O Advogado: barítono
Médico: mezzo-soprano
Magistrado: tenor
2 seguranças do banco: tenor e barítono
Coro de Anjos/Comissão de trabalhadores bancários: coro

Sinopse

PRÓLOGO

Um poderoso banqueiro dorme na poltrona do seu luxuoso gabinete, na sede do banco. Tem um livro aberto pousado sobre o peito. Subitamente, o seu sono é interrompido pela visita de um anjo misterioso, que surge inesperadamente do nada; o banqueiro sente um grande terror com a presença do anjo. Os dois travam uma luta, onde o anjo domina totalmente o banqueiro; um coro de anjos acompanha a derrota do banqueiro. Esta luta é simbólica da luta de Jacob e o Anjo, episódio bíblico do Antigo Testamento.

ACTO I

Depois do banqueiro ter chamado os seus fiéis seguranças, o anjo surge disfarçado de jornalista, e começa a participar na rotina da vida do banqueiro; este, por sua vez, começa a perder a postura e o controle, tornando-se cada vez mais nervoso e agressivo. O jornalista explica ao banqueiro que veio para lutar com ele a luta de Jacob e o anjo, mas que quer ser ele a derrotá-lo; o banqueiro fica aterrorizado. Entretanto, vão chegando à sede do banco vários personagens, entre os quais importantes figuras da hierarquia do banco, e a mulher do banqueiro; todos tomam conhecimento da luta e do jornalista. A mulher sente-se atraída pela enigmática figura do anjo/jornalista. Após uma troca de insultos e ofensas entre o banqueiro e os demais, a mulher sai do gabinete ofendida e tomada de um grande rancor para com o marido. Este, indiferente, despede friamente vários dos seus seguranças mais fiéis, e contrata o jornalista, convidando-o a ficar com ele.

ACTO II

Na sumptuosa sala de reuniões do concelho de administração, a mulher recebe a visita do irmão do banqueiro, importante acionista do banco, e por ela apaixonado. A mulher pede ao acionista para que a ajude num plano tendo em vista a queda do banqueiro, pedido que é prontamente aceite. Depois, e seguindo o esquema para obter a maioria dos apoios, a mulher recebe o presidente da assembleia geral, o advogado principal e um magistrado do Ministério Público com relações ao banco. Mas mesmo antes dos três altos personagens entrarem na sala, o jornalista surpreende a mulher e esta o obriga a esconder-se atrás do divã. Desta reunião secreta, fica um acordo para que os três apoiem a mulher na destituição do banqueiro. O jornalista, que entretanto ouviu toda a conversa, surge inesperadamente para grande espanto dos três altos personagens. A mulher manifesta hipocritamente uma grande surpresa e garante aos seus comparsas a prisão imediata do jornalista. Depois de todos saírem, manda chamá-lo novamente e fica a sós com ele. Tenta seduzi-lo, mas sempre sem sucesso: o anjo permanece frio e inatingível. Por fim, a mulher revela-lhe o seu suposto amor e faz uma última tentativa para que o jornalista a acompanhe no plano para derrubar o banqueiro. Ao perceber que é inútil, desiste da sedução e manda chamar à sala de reuniões o seu marido. Este chega quase imediatamente, mas diz que vem a pedido do jornalista. Está cansado, nervoso e agressivo; logo de início pressente a fatalidade da conversa da mulher. Finalmente, é o próprio anjo/jornalista que revela que ele pode deixar tudo o mais, incluindo o banco, e nesse momento o banqueiro sofre um ataque nervoso e inicia o derradeiro caminho para a sua demência. Ameaça todos e tenta dominar a mulher pela força; esta, assustada, grita pelos seguranças, que levam o banqueiro. 

ACTO III

Caixa forte do banco. O banqueiro, destituído da presidência do banco, está preso sob as ordens do seu irmão e mulher, que entretanto casaram. Tal como no prólogo, o anjo/jornalista surge ao banqueiro do nada, e conversa com ele sobre a sua vida atual que considera miserável, culpabilizando o jornalista por tudo o que lhe aconteceu; o jornalista, no entanto, afirma que a história ainda vai no começo, e que toda a desgraça que já lhe provocou ainda não é suficiente. O banqueiro diz-lhe então, que vai pedir um último favor ao irmão e à mulher, assegurando ao jornalista que este não o consegue imaginar. Entretanto, começa-se a ouvir o som de pessoas a cantarem e tocarem: é a comissão de trabalhadores do banco e todos os altos quadros, incluindo a mulher e o acionista. Vêm todos visitar o banqueiro, tendo passado um ano da destituição por doença, e vêm cantar também a boa nova da gravidez da mulher, que finalmente garante a sucessão do império. O banqueiro, desesperado, exige que o deixem a sós com a mulher e o irmão. Todos saem, mas o jornalista insiste que quer ficar e ouvir o pedido do banqueiro. Após uma conversa com o anjo/jornalista, o accionista começa a gostar dele e propõe-lhe a entrada ao seu serviço. Agressivamente, o banqueiro impede tal proposta e diz que o jornalista lhe pertence e que pretende vingar-se: pede ao irmão a própria vida do jornalista, pois este destruiu a sua e o preço foi demasiado caro. O acionista hesita, mas no fim acede e garante ao banqueiro o seu desejo; este, cada vez mais demente, parece já nem ouvir as palavras apaziguadoras do irmão. O jornalista é assassinado, e o banqueiro assiste aterrorizado. Já com a luz de uma difusa e baça madrugada, o anjo, com o traje do jornalista morto, surge novamente ao banqueiro, que sabia no íntimo que ele não havia de morrer. Começa, no entanto, a pedir-lhe perdão. Na companhia do médico do banco, o banqueiro pede uma última vez auxílio e a presença do irmão e da mulher, mas, sendo o anjo apenas uma aparição que ninguém vê, apenas ele próprio, o médico tenta acalmá-lo e diz que ele há-de melhorar. Finalmente o banqueiro, cada vez mais ofuscado com a presença do anjo, consegue libertar-se de todas as suas últimas prisões humanas e pede sinceramente perdão ao anjo, confessando-lhe que sempre o sentiu e o desejou, mas que o negrume da noite o rodeou sempre, impedindo-o de o descobrir e de o escutar. Num último suspiro, pede-lhe a paz e a serenidade, e sente, comovido, a redenção.

EPÍLOGO

O banqueiro jaz morto. Um coro de anjos aproxima-se do seu corpo e, em êxtase, ergue-o, exaltando a doçura da morte.

Instrumentação

2 Fl (2º Picc) | 2 Ob (2º C Ingl) | 2 Cl (2º Bcl) | 3 Fg (3º Cfg) | 4 Hn | 2 Tpt | 3 Tbn | Tb | 5 Perc | Hp | Pf/Cel | Gtr (Egtr) | Vln | Vla | Vc | Cb

Estreia

Data: 2011
Local: Teatro Nacional de São Carlos, Lisboa
Encomenda: Teatro Nacional de São Carlos
Encenação: João Botelho
Direcção musical: Lawrence Renes
Elenco: Jorge Vaz de Carvalho, Musa Nkuna, Sara Braga Simões, Diogo Oliveira, Chelsey Schill, Nuno Dias, José Lourenço, Ana Ferro, José Corvelo, Bruno Almeida, Christian Lujan, Coro do Teatro Nacional de São Carlos e Orquestra Sinfónica Portuguesa

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