Libretista: César Féreal
Libreto baseado no texto Dona Branca de Almeida Garrett
Drama lírico em 4 actos e 1 prólogo
Data: 1888
Língua: Português
Grande formato
Aben-Afan: tenor
Donna Bianca: soprano
Adaour: barítono
Velha Moura: contralto
Don Payo Peres Correia: baixo
Don Nuno: tenor
Soldado: barítono
Fada: mezzo-soprano
Alda: soprano
Popular: tenor
Coro
A ação desenrola-se em Portugal durante a reconquista do Algarve aos mouros, no século XIII, e centra-se na trágica história de amor entre a infanta Dona Branca, filha do rei D. Afonso III, e Aben-Afan, líder mouro da região. Apesar de pertença a mundos e posições políticas antagónicas, os dois apaixonam-se profundamente, o que cria um conflito entre dever e desejo. A narrativa explora temas de honra, identidade e lealdade, colocados contra o pano de fundo histórico das guerras de reconquista. Outras personagens, como aliados e antagonistas de ambos os lados, complicam ainda mais a relação dos amantes, conduzindo a um desfecho trágico marcado pelo peso do amor.
Pic | 2 Fl | Ob | 2 Cl | 2 Fg | 2 Tpt | 2 Hn | Tbn | Timp | Vln | Vla | Vc | Cb¹
Partitura: Ava Musical Editions
Estreada no Teatro de São Carlos em 1888 e dedicada ao rei D. Luís, Donna Bianca, de Alfredo Keil, afirmou-se rapidamente como uma das mais relevantes óperas portuguesas do final do século XIX. A recepção do público e da crítica foi amplamente favorável – a ópera foi unanimemente considerada uma composição de grande qualidade, comparável às principais obras dramáticas nacionais da época. O seu êxito refletiu-se num número excecional de representações, com vinte récitas em duas temporadas consecutivas, superando muitas obras do repertório internacional então em cena². De acordo com Luís Raimundo:
Tal foi o prestígio que a ópera obteve junto do público em geral, que a Companhia dos Caminhos de Ferro de Leste e Norte resolveu estabelecer viagens de comboio a preços reduzidos, de forma a permitir aos habitantes das províncias assistir às duas récitas extraordinárias de Dona Branca, que tiveram lugar no início de Abril de 1888³.
Inspirada no poema homónimo de Almeida Garrett, Donna Bianca inscreve-se numa estética próxima do grand opéra francês, conjugando ambição musical, dramatúrgica e cénica. O prestígio alcançado levou ainda à sua reposição em Portugal e no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, confirmando o lugar central da obra no panorama operático português oitocentista4.
Data: 1888
Local: Teatro de São Carlos, Lisboa
Elenco: António D’Andrade, Elena Theodorini, Francisco d’Andrade, Giulia Prandi, Meroles, Durini, Pietro Ghidotti, G. Figuet, Olavarri, Foresti e Coro e Orquestra do Teatro de São Carlos