Alfredo Keil nasceu a 3 de Julho de 1850, em Lisboa, filho de Johan Christian Keil, alfaiate alemão que se exilou em Portugal no final da década de 30, e de Maria Josefina Stellpflug, cuja família de ascendência alsaciana se instalara no país no final do século XVIII1. Ao longo da sua infância, Keil viajou com os seus pais por vários países da Europa, aprendeu línguas e desenvolveu interesse por diversas formas artísticas, nomeadamente a pintura e a música. Iniciou os seus estudos numa e noutra artes em Lisboa, mas, em 1868, com apenas 17 anos, partiu para a Nuremberga e continuou a sua formação na Academia Real de Belas Artes, sob a direção de August von Kreling2.
Com o despontar da guerra franco-prussiana, em 1870, Keil regressou a Portugal e iniciou uma carreira artística que cedo ganhou popularidade. Ao mesmo tempo que os seus trabalhos de pintura eram exibidos e galardoados em exposições nacionais e internacionais, dava os seus primeiros passos no meio musical, encantando os públicos de salões privados com a sua música ligeira, danças e canções3.
Em 1883, Keil apresentou a sua primeira ópera, Susana, no Teatro da Trindade, à qual se seguiu, cinco anos depois, Donna Bianca, cujo tremendo sucesso junto do público do Teatro de São Carlos lhe valeu a atribuição da Ordem de Santiago. As duas obras partilham uma temática nacionalista que seria retomada no início da década seguinte, marcado pelo conflito diplomático e militar entre Portugal e a Grã-Bretanha. Contagiado pelo fervor patriótico que se insurgia contra o Ultimato Inglês, o compositor escreveu a marcha A Portuguesa – com versos de Henrique Lopes de Mendonça –, que rapidamente se tornou símbolo da movimento republicano e que, em 1911, acabaria por ser escolhida como hino nacional da República Portuguesa. Ainda na década de 90, Keil compõe a sua primeira ópera de grandes dimensões, Irene, que se apresentou no Teatro Régio de Turim, em 1893, e a conhecida Serrana, ouvida pela primeira vez no Teatro de São Carlos em 18994.
Entre as músicas de salão, as óperas e outras obras de grandes dimensões – o poema sinfónico Uma caçada na corte (1885) e as cantatas Patrie (1884), As Orientais (1886) e Poema de Primavera (1886) –, Keil conservou o seu interesse nas artes visuais e manteve a sua atividade como pintor. Nos últimos anos da sua vida, o artista usufruiu dos seus dotes polivalentes e dedicou-se especialmente às suas coleções de arte, que reuniam um vasto conjunto de instrumentos musicais, manuscritos, iluminuras e pinturas de artistas como Francisco Goya, Luca Giordano e Pieter Brügel. O compositor faleceu a 4 de Outubro de 1907 e deixou-nos vestígios de várias obras que ficaram por concluir, entre as quais se encontra a ópera Simão, o Ruivo5. A propósito do primeiro centenário do seu nascimento, Fernando Lopes-Graça escreveu:
[…] seja qual for o juízo definitivo (se é que os há) que venha a fazer-se da personalidade musical de Alfredo Keil, uma coisa se pode contar como certo em seu abono: o ter ele tentado, dentro dos limites que uma técnica musical incompleta e o seu «amadorismo» estrutural naturalmente lhe impunham, o ter ele tentado, digo, resolver o problema da ópera nacional – e isto já se me afigura muito para considerar, num país em que a música nunca teve grandes problemas a resolver, por falta de vitalidade própria e de integração nas dominantes estéticas contemporâneas6.
S | 2 T | Bar | 2 B + Fl | Ob | Fg | 2 Cl | Tpt | 2 Hn | Perc | Vln | Vla | Vc | Cb
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S | 2 Mz | T | Bar | B + Fl (=Picc) | Ob | 2 Cl | Fg | 2 Tpt | 2 Hn | Tbn | Perc | Vln | Vla | Vc | 2 Cb
Ver Ópera
2 S | Mz | A | 3 T | 2 Bar | B + 2 Fl (=Picc) | Ob | 2 Cl | 2 Fg | 2 Tpt | 2 Hn | Tbn | Timp | Vln | Vla | Vc | Cb
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