«A música é uma arte de imagens»¹ —, assim a costuma definir o compositor António Chagas Rosa (1960) em diferentes entrevistas, apontando ao poder imagético dos sons. Defendendo a música não só como pensamento, mas, sobretudo, como máquina de criar imagens ou de as activar em quem nela deposita uma escuta concentrada. Uma forma de organizar narrativas, mesmo quando a palavra está ausente. Porque não existe, para si, música pura: o compositor que perscruta o mundo está, a todo o momento, em diálogo com os diferentes elementos constituintes da sua realidade.
É um modo de entender a composição que, entre outros, se guia por um princípio fundamental: a preocupação com o ouvinte. Não no sentido paroquial de o aprazer gratuitamente, mas no desejo radical de estabelecer com ele uma comunicação afectiva, forte o suficiente para imprimir em si um significado concreto e directo, independente dos discursos academistas ou musicológicos, que atravessam, com recursos a sofisticados quadros teóricos e ferramentas analíticas, muita da música (e da arte) contemporânea. Esta consciência, toma-a Chagas Rosa em França, fruto de um encontro com o maestro Roland Hayrabedian, aquando da estreia do seu conto musical Les Sorcières (2006 Actes-Sud), com Ensemble Musicatreize em Marselha, que o compositor descreve como «um ponto de viragem e uma aprendizagem, creio que a minha forma de escrever se alterou daí para a frente. Senti essa necessidade de comunicar»².
O percurso musical, no entanto, tinha começado duas décadas antes, em Lisboa, de onde é natural. Foi aí que concluiu o curso superior de Piano (Conservatório Nacional de Lisboa em 1981) e uma licenciatura em História (Universidade Nova de Lisboa, em 1983). Depois, como bolseiro da Secretaria de Estado da Cultura, mudou-se para os Países Baixos, onde além de ter aprofundado os estudos de Repertório Contemporâneo para Piano e Música de Câmara (Conservatório Sweelinck de Amesterdão), concluiu o curso superior de Composição (Conservatório de Roterdão, em 1992), tendo estudado com Klaas de Vries e Peter-Jan Wagemans.
Em 1994, ano em que Lisboa foi Capital Europeia da Cultura e na sequência de uma encomenda do, entretanto extinto, serviço ACARTE da Fundação Calouste Gulbenkian, compôs a sua primeira ópera: Cânticos para a Remissão da Fome. Na viragem do milénio, e novamente à boleia de duas Capitais Europeias da Cultura (Porto e Roterdão, em 2001), compôs a sua segunda ópera Melodias Estranhas. Depois de um longo hiato, voltaria, em 2022, ao género operático, com o Homem dos Sonhos, encomenda da Ópera do Castelo, que percorreu vários teatros portugueses.
Entretanto regressado dos Países Baixos, onde permaneceu e trabalhou até 1996 como correpetidor na Het Nederlandse Opera e no Conservatório de Sweelinck, Chagas Rosa estabeleceu-se em Aveiro, onde é, desde então, professor de Música de Câmara e de História da Música, na Universidade de Aveiro. Casa onde obteve o seu doutoramento com uma investigação sobre o diálogo entre música e texto em Das Buch der hängenden Gärten de Arnold Schönberg.
S | B + 2 Actores + Cl | Bar Sax | Tbn | Tb | Perc | Pf (Synth) | Acc | Vln | Vc | Cb
Ver Ópera
Ct | T | 2 Bar | B + Fl | Ob | Cl | Bcl | Fg | Hn | Tpt | Tbn | Tb| Perc | Pf (synth) | 4 Vln | 2 Va | 2 Vc | Cb
Ver Ópera
2 S | A + Fl | Cl | Fg | Hn | Tpt | Tbn | Tb | Perc | Hp | Pf | Vln | Va | Cb
Ver Ópera
Partituras & Materiais: Ópera do Castelo Edições Ava Musical Editions Centro de Informação da Música Portuguesa