Augusto Machado nasceu em Lisboa a 27 de dezembro de 1845, no seio de uma abastada família de comerciantes, e revelou desde cedo talento musical. Iniciou os seus estudos em Lisboa, onde aprendeu piano com os irmãos Emílio e João Guilherme Daddi e estudou harmonia com o compositor Joaquim Casimiro Júnior. Em 1867, viajou para Paris como membro da expedição portuguesa à Exposição Universal e continuou a sua formação na capital francesa com Albert Lavignac. De novo em Lisboa, manifestou crescente insatisfação com a forte influência italiana que dominava a vida musical portuguesa e, em 1873, regressou a Paris, onde contactou com compositores como Jules Massenet e Camille Saint-Saëns, cuja estética viria a ser determinante para a definição da sua linguagem musical¹.
Regressado a Portugal, Augusto Machado quis investir na composição de música dramática, e continuar o seu trabalho no género da opereta, que tinha iniciado com a apresentação de O Sol de Navarra no teatro da Trindade, em 1870. Ao longo da década de 70, o compositor aperfeiçoou a sua técnica e estreou mais cinco operetas no mesmo teatro: A Cruz de Ouro (1873), O Degelo (1875), Os Frutos de Ouro (1876), A Guitarra (1878) e Maria da Fonte (1879). Em paralelo a este trabalho, Machado quis aventurar-se para projetos de maior envergadura: começou a composição da sua primeira ópera, Lauriane, em 1876, e escreveu a sua primeira obra coral-sinfónica, a Ode Sinfónica Camões e os Lusíadas, em 1880. Esta última foi premiada na Exposição Musical de Milão, no ano seguinte, abrindo caminho para que, dois anos depois, Machado estreasse a sua ópera no Grand Théâtre dessa cidade².
Nas décadas seguintes, Machado oscilou entre a composição de óperas para o Teatro de São Carlos e a produção de operetas para o Teatro da Trindade, o Teatro da Avenida e o Teatro D. Amélia³. Depois de Lauriane, que demonstrava uma clara orientação francesa, as suas novas óperas recorreram a libretos italianos. No entanto, «confirmaram plenamente a orientação moderna do seu autor […] onde o divórcio da ópera italiana é completo, pela sua aproximação do drama lírico»⁴. I Doria, com libreto de Ghislanzoni – autor do texto de Aïda de Verdi – foi estreada no São Carlos a 15 de janeiro de 1887; Mario Wetter, com libreto de Leoncavallo, foi apresentada a 7 de fevereiro de 1898; e La Borghesina, foi ouvida no mesmo teatro em 1909⁵.
Figura central da vida musical portuguesa do seu tempo, Augusto Machado desempenhou vários cargos institucionais de relevo. Foi professor de canto e diretor do Conservatório Nacional entre 1901 e 1910 – e novo, entre 1918 e 1919 –, além de conselheiro do Ministério da Educação e representante do governo no Teatro de S. Carlos⁶. O compositor morreu a 26 de março de 1924, deixando para trás uma obra elogiada por várias figuras do meio musical, como Fernando Lopes-Graça, que descreve Machado como «o compositor português de música dramática mais bem dotado, mais culto, mais experimentado, mais talentoso, numa palavra, dos últimos tempos»⁷.
3 S | 2 Mz | 3 T | 2 Bar | 2 B + Coro + 2 Fl (Picc) | Ob | Cl A | Sax A | 2 Fg | 4 Hn | 2 Tpt A | 3 Tbn | Tb | 3 Perc | Hp | Vln | Vla | Vc | Cb
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20 Solistas + Coro + Fl (=Picc) | Ob | 2 Cl | Fg | 2 Hn | Cnt | 2 Tpt | 2 Tbn | 2 Perc | Vln | Vla | Vc | Cb
S | Mz | 2 T | Bar | 3 B + Coro + 2 Fl (Picc) | Ob | Cl | Fg | 2 Hn | Tpt | Tbn | Tb | 2 Perc | Vln | Vla | Vc | Cb
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2 S | Mz | T | 4 Bar + Coro + Fl (Picc) | Ob | 2 Cl | 2 tpt | 2 Hn | Tbn | 3 Perc | Vln | Vla | Vc | Cb
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