«Louco? Não, Distraído!»¹ — eis o título escolhido pelo jornalista João Aguiar, para uma entrevista com Joly Braga Santos, publicada no jornal O País, a 30 de Abril de 1982. Nela, se descobre que, apesar de um talento natural para ser atropelado (contavam-se à data nove), a distração incorrigível do compositor é, afinal, um mecanismo de defesa: uma forma de se furtar das preocupações quotidianas, de aceder a um mundo sonoro, que talvez ajude a explicar a precocidade e proficuidade do seu génio musical. Ou, pelo menos, contribua para a construção mitológica daquele que é considerado um dos mais importantes compositores do século XX, sobretudo na produção sinfónica e operática.
Nascido a 14 de Maio de 1924, em Lisboa, a relação de Joly Braga Santos com a música dar-se-ia desde tenra idade e no espaço doméstico, graças ao seu pai, contabilista e músico amador. Foi ele quem lhe ofereceu um violino, a que o jovem Joly daria mais atenção do que a qualquer brinquedo. Quando José Manuel Joly Braga Santos termina a escola primária, já ninguém duvida de que é à música que o menino deveria dedicar os estudos.
Entra no Conservatório Nacional, em 1936, onde começa por estudar violino e depois piano. Na mesma instituição matricular-se-á, em 1941, no Curso Superior de Composição, onde desde cedo se mostra particularmente virtuoso. É também lá que conhecerá Luís de Freitas Branco, com quem terá aulas particulares de composição e ciências musicais; uma figura que se tornará o seu “mestre” e exercerá uma grande influência no pensamento estético e musical de Braga Santos.
Em 1947, após a estreia da sua Abertura Sinfónica I, no Teatro Nacional São Carlos, será convidado para ingressar no gabinete de Estudos Musicais da Emissora Nacional (EN), onde permanecerá até à extinção do gabinete em 1954. No ano seguinte, estaria entre os fundadores da Juventude Musical Portuguesa, juntamente com Humberto d’Ávila, João de Freitas Branco, Maria Elvira Barroso, Filipe de Sousa e Nuno Barreiro, entre outros.
Entretanto, em 1948 recebeu uma bolsa do Instituto de Alta Cultura para fazer um Curso Internacional de Direcção com Hermann Scherchen, em Veneza, onde conheceu, por exemplo Bruno Maderna e Luigi Nono. Na década seguinte, voltaria a receber nova bolsa, mudando-se temporariamente para Roma, onde estudou com Virgílio Mortari, Gioacchino Pasquali e novamente com Scherchen, desta vez na Suíça.
Aos 26 anos, tinha já composto as suas primeiras quatro sinfonias e preparava-se para compor a sua primeira ópera: Viver ou Morrer (1952), uma obra radiofónica composta com libreto de João de Freitas Branco para concorrer ao prémio Prix Italia, que viria a estrear no TNSC em 1956.
Mais tarde, em Itália, começa a escrever uma nova ópera, Mérope, a partir da peça homónima de Almeida Garrett, que seria estreada novamente no TNSC, em 1959. Este momento corresponde já a um interesse mais consciente pelo género músico-teatral, procurando na história de inspiração clássica fundamentos para a construção de uma expressão operática que fosse simultaneamente moderna e intemporal.
A sua obra-prima, no que ao género operático diz respeito, só chegaria, no entanto, no fim da década seguinte, em 1970: A Trilogia das Barcas, a partir de Gil Vicente. Corresponde à evolução na escrita, que se dá sobretudo a partir da década de 1960, e na qual, sem abdicar da clareza interna e da estrutura formal, o compositor abandona os centros tonais tradicionais em favor do polimodalismo e de harmonias simétricas, desenvolvendo melodias com recurso ao cromatismo e ao diatonismo. É desta fase a 5.ª Sinfonia, que valeu a Joly Braga Santos o Prémio Internacional de Composição da UNESCO (1969).
Joly Braga Santos, assumiu o cargo de maestro assistente de captação da Emissora Nacional, onde trabalhou de perto com os maestros Silva Pereira e Álvaro Cassuto (um dos grande responsáveis pela divulgação e gravação discográfica da obra de Joly Braga Santos); enquanto maestro foi responsável pela divulgação de música de vanguarda como Krzysztof Penderecki ou Jorge Peixinho; foi crítico em revistas como Arte Musical ou jornais como o Século e o Diário de Manhã, conferencistas e pedagogo, assinou a reformulação da disciplina de formação musical do Conservatório Nacional, onde deu aulas entre 1972-76 e 1987-88.
3 S | 2 Mz | 3 T | 5 Bar | 2 B + Actor + Coro + 2 Fl | 2 Ob | 2 Cl | 2 Fg | 3 Hn | 2 Tpt | 2 Tbn | 4 Perc | Hp | Cel | Cemb| 12 Vln | 4 Va | 4 Vc | 3 Cb
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S | T | 3 Bar | B + Coro + 3 Fl | 3 Ob | 3 Cl | 3 Fg | 4 Hn | 3 Tpt | 3 Tbn | Tb | 4 Perc | 2 Hp | Cel | Vln | Vla | Vc | Cb
Ver Ópera
S | A | T | Bar + Actriz + Coro + 3 Fl | 3 Ob | 3 Cl | 3 Fg | 4 Hn | 3 Tpt | 3 Tbn | Tb | 4 Perc | 2 Hp | Cel | Vln | Vla | Vc | Cb
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