Marcos António da Fonseca Portugal nasceu em Lisboa a 24 de Março de 1762, filho de Joaquina Teresa Angélica da Fonseca Portugal e de Manoel António da Assumpção, músico da Santa Igreja Patriarcal. Foi um organista e compositor luso-brasileiro e uma das figuras mais prolíficas e internacionalmente reconhecidas da música portuguesa do final do século XVIII e início do século XIX. Em 1771 ingressou no Seminário da Patriarcal, onde estudou com João de Sousa Carvalho e, muito provavelmente, com José Joaquim dos Santos. Ainda como estudante, começou a compor música litúrgica para a Patriarcal e, em 1782, obteve o seu primeiro cargo como organista, seguido da nomeação formal como compositor em 1787¹.
A relação de Marcos Portugal com a família Real portuguesa é inaugurada em 1882, quando o compositor recebeu a sua primeira encomenda Real – uma Missa com instrumental a ser cantada na Real Capela de Queluz a propósito da festa de Santa Bárbara². Por volta de 1784, Marcos Portugal começou a frequentar o Teatro do Salitre e a compor música para entremezes, comédias, burletas e odes régias que aí se ouviam por ocasião da celebração de aniversários da família Real³.
Em 1792 partiu para Itália, onde, sob o nome italianizado Marco Portogallo, estreou com grande sucesso uma série de óperas buffas e farsas⁴. Entre 1795 e 1800, o compositor estreou uma média de três obras por ano em diferentes pontos do circuito operático italiano, alcançando uma reputação internacional sem precedentes para um compositor luso-brasileiro. De acordo com António Jorge Marques:
Nos últimos anos do século XVIII e nos primeiros 19 anos do século XIX, o êxito italiano extravasa para o resto da Europa e Brasil, com réplicas em Viena, Paris, Londres, Dublin, São Petersburgo, Berlim, Dresden, Hamburgo, Hannover, Leipzig, Nuremberga, Corfu, Barcelona, Madrid, Rio de Janeiro, Lisboa, Porto…, para um total de representações que se conta pelos milhares⁵.
De regresso a Lisboa em 1800, Marcos Portugal é nomeado mestre de Solfa do Seminário da Patriarcal e Maestro do Teatro de São Carlos, compondo numerosas óperas serie – a maioria delas escritas para a soprano Angelica Catalani⁶. Entre as múltiplas óperas que apresentou nesse Teatro, destacam-se La Donna di Genio Volubile, Adrasto, Semiramide, Le Donne Cambiate, L’oro non compra amore, e Demofoonte⁷. Em 1807, produziu um conjunto excepcional de obras sacras para a Basílica de Mafra, explorando os seis órgãos do templo, num estilo grandioso associado à exibição do poder régio⁸.
Após a transferência da corte para o Brasil, foi chamado ao Rio de Janeiro em 1811, tornando-se Mestre de Suas Altezas Reais, os filhos de D. João, e compositor oficial da Casa Real. No Brasil, dedicou-se sobretudo à música sacra e cerimonial, compondo também os primeiros hinos nacionais oficiais de Portugal e do Brasil. Marcos Portugal foi agraciado com uma Comenda da Ordem de Cristo em Outubro de 1820 e permaneceu ao serviço de D. Pedro I até à sua morte, a 17 de fevereiro de 1830, deixando uma obra vasta que inclui ópera, música sacra e repertório simbólico de forte dimensão política⁹.
4 S | 2 T | B + Coro + Fl | Ob | Cl | Fg | 2 Hn | Tpt | Timp | Vln | Vla | Vc | Cb | Ce
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4 S | 2 T | Bar | 2 B + 2 Fl | 2 Ob | 2 Cl | Fg | 2 Hn | 2 Tpt | Vln | Vla | Vc | Cb | Cemb
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2 S | Mz | 2 T | B + Chorus + Fl | Ob | Cl | Fg | 2 Hn | Tpt | Timp | Vln | Vla | Vc | Cb | Cemb
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